O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), afirmou nesta terça-feira (19) que o partido, como maior bancada da Casa, não abrirá mão de ocupar a presidência ou relatoria da comissão especial que analisará o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Nesta segunda (18), o presidente em exercício do PMDB, senador Romero Jucá (RR), havia defendido que a legenda e o PT não ocupassem os cargos-chave do colegiado, por serem “partes interessadas” do processo de afastamento.
Perguntado sobre a opinião de Jucá, Eunício Oliveira destacou que a indicação cabe ao líder do PMDB e reforçou que escolherá um parlamentar do partido para relatoria ou presidência.
“Não tem sentido o PMDB ficar fora desse processo. Com um partido que tem 19 senadores- 18 em exercício porque Katia Abreu hoje é ministra- seria desagradável deixar fora o PMDB e fazer uma escolha para outro partido”, afirmou.
Segundo ele, a decisão sobre se o partido ocupará a presidência ou a relatoria poderá ser anunciada antes da próxima sexta (22), prazo máximo para indicação dos integrantes da comissão especial. “O PMDB assumirá ou presidência ou relatoria. Posso fazer antes de sexta a indicação, se chegar a um entendimento com a bancada”, afirmou.
Instalação da comissão
Nesta terça, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informou que a eleição que irá oficializar os nomes indicados pelos blocos partidários da Casa para a comissão especial do impeachment deve ocorrer na próxima terça-feira (26).
Senadores da oposição pressionaram para que a instalação da comissão ocorresse já nesta terça-feira (19), mas o bloco formado por PT e PDT se recusou a indicar seus integrantes para o colegiado. Diante do impasse, o presidente do Senado decidiu dar um prazo de até 48 horas para que os blocos partidários indiquem seus nomes.
Eunício Oliveira disse que não vê problema em marcar a instalação para a próxima terça, ainda que oposicionistas tenham defendido que o início dos trabalhos fosse já esta semana. Para o líder do PMDB, o processo de impeachment deve ser conduzido com “cautela” no Senado, para evitar questionamentos na Justiça.
“É um processo de afastamento e cassação de um presidente da República. A Câmara demorou alguns meses para votar e nem era a câmara judicante [que julga o mérito]. Você tem que dar direito de defesa. Não podemos permitir que o processo seja judicializado. Não podemos atropelar”, afirmou.
O líder do PMDB também ironizou a votação da Câmara que autorizou a continuidade do processo de impeachment, quando vários parlamentares ofereceram os votos à família e a Deus.
“A votação da Câmara espero que não se repita aqui no Senado. Não podemos fazer aqui nenhuma bravata, nenhum voto para mamãe, papai ou titia. Temos que fazer com muita sobriedade”, disse Eunício.
Fonte – G1